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A INFLUÊNCIA DO G20 NA CONSTRUÇÃO DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Palavras-chave: G20, governança global, desenvolvimento sustentável, transição energética; fórum informal, sul global, cooperação internacional, justiça climática.


Cúpula do G20 em Joanesburgo, na África do Sul  • Sun Xiang/China News Service/VCG via Getty Images
Cúpula do G20 em Joanesburgo, na África do Sul  • Sun Xiang/China News Service/VCG via Getty Images

O mês de novembro foi marcado por dois grandes eventos nas relações internacionais: a Cúpula do G20 em Joanesburgo, na África do Sul, e as discussões da COP30 em Belém do Pará. Ambos os encontros concentraram debates relevantes sobre a transição energética e o papel dos países na construção de diálogos multilaterais e soluções inovadoras diante da urgência climática. É extremamente importante destacar que, enquanto fórum informal de coordenação econômica e política, o G20 reúne economias desenvolvidas e em desenvolvimento, correspondendo a cerca de 85% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, dois terços da população global e 75% do comércio internacional. Dessa forma, se faz relevante sua análise, uma vez que promove a busca por soluções conjuntas das demandas internacionais, contribuindo para o fortalecimento e a reforma da governança global (THORSTENSEN, THOMAZELLA, 2024, p. 194).


ESTRUTURA, FUNCIONAMENTO E RELEVÂNCIA INSTITUCIONAL DO G20

No que se refere à sua estrutura, o G20 se diferencia das organizações internacionais tradicionais. Isso porque, em virtude de seu caráter plurilateral e informal, a presença de secretariados permanentes é inexistente, além de não possuir sede fixa. A organização e coordenação dos trabalhos do grupo dependem integralmente do país que exerce a presidência rotativa anual. Assim como ocorre no G7, o G20 destaca-se pela flexibilidade e pela capacidade de adaptação, contrastando com instituições como a Organização das Nações Unidas (ONU), a Organização Mundial do Comércio (OMC) e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Ainda que o caráter e a dinâmica sejam distintos, os temas debatidos costumam ser recorrentes, refletindo desafios sistêmicos enfrentados pelos países (THORSTENSEN, THOMAZELLA, 2024, pp. 195-196).

Diante desse cenário, vale acrescentar que é inegável a capacidade do grupo de influenciar a agenda e as narrativas de interesse das organizações interncaionais, setor privado, sociedade civil e organizações não-governamentais. Durante sua participação no fórum, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, enfatizou a responsabilidade do grupo na construção de um novo modelo de desenvolvimento, capaz de conciliar resiliência climática, justiça social e transição energética. A centralidade desse debate também foi reforçada pela decisão brasileira de situar as discussões climáticas na Amazônia, com a realização de parte das atividades associadas à COP30 em Belém do Pará. A escolha desse território busca evidenciar aos líderes internacionais a urgência de se envolverem de maneira concreta com a pauta climática, ao mesmo tempo em que reafirma o compromisso do Brasil com o multilateralismo e com a proteção dos biomas estratégicos para o planeta (AGÊNCIA BRASIL, 2025; THORSTENSEN, THOMAZELLA, 2024, pp. 196-196).

Ainda em Joanesburgo, na África do Sul, onde ocorre a Cúpula de Líderes do G20, Lula reforçou:


“Entramos agora numa nova etapa, que exigirá esforço simultâneo em duas frentes: acelerar as ações de enfrentamento da mudança clima e nos preparar para uma nova realidade climática. O G20 cumpre papel central em ambas” (AGÊNCIA BRASIL, 2025).

O presidente sul-africano Cyril Ramaphosa durante a sessão plenária de abertura da Cúpula do G20 em 22 de novembro de 2025 em Joanesburgo, África do Sul, antes do início da Cúpula do G20. — Foto: Getty Images
O presidente sul-africano Cyril Ramaphosa durante a sessão plenária de abertura da Cúpula do G20 em 22 de novembro de 2025 em Joanesburgo, África do Sul, antes do início da Cúpula do G20. — Foto: Getty Images

INCLUSIVIDADE E DESAFIOS DE LEGITIMIDADE

No entanto, apesar de sua relevância e da tentativa de abarcar maior pluralidade entre países desenvolvidos e emergentes, há um debate acadêmico significativo sobre a legitimidade do G20. Um dos principais questionamentos refere-se à representatividade dos países que possuem menor influência no sistema internacional, o que pode gerar assimetrias nos debates e processos de tomada de decisão. destaca-se que a participação de entidades como a ONU e outros organismos multilaterais contribui para dar voz a países menos desenvolvidos, conferindo maior legitimidade nas discussões. Assim, mesmo com tensões internas e desigualdades de poder, o G20 permanece como um espaço crucial para o debate de pautas estruturantes das relações internacionais (THORSTENSEN, THOMAZELLA, 2024, p. 207).

A título de exemplo, durante a primeira sessão da Cúpula de Líderes, Lula destacou a necessidade de um modelo de crescimento econômico mais sustentável e inclusivo, articulando propostas que dialogam com debates globais sobre justiça fiscal e financiamento ao desenvolvimento. O presidente defendeu a criação de sistemas tributários mais equilibrados, ressaltando a importância da taxação de super-ricos como mecanismo para reduzir desigualdades estruturais. Lula também reforçou a proposta de troca de dívidas por investimentos em desenvolvimento, especialmente voltada para países de baixa renda que enfrentam limitações financeiras historicamente agravadas por crises internas e externas. Por fim, o presidente enfatizou a necessidade de uma ação climática consistente. Suas declarações reforçam a tentativa de reposicionar o Brasil como ator ativo no debate global sobre desenvolvimento sustentável, buscando articular interesses do Sul Global e influenciar a agenda do G20 (AGÊNCIA BRASIL, 2025).

Em última instância, é possível influir que o principal aspecto em relação ao G20 é sua relevância no contexto global. Apesar de seguir modelos e caminhos mais padronizados aos empregados no ocidente e apresentando debates que, por vezes, não apresentam resultados efetivos e práticos, sua existência oferece uma oportunidade de realizar avanços de demandas do sul global — ou apenas um princípio de inclusão e cooperação. O fórum de debates entre as principais economias do mundo, marca uma necessidade de alinhamento contínuo e possui seu valor no âmbito político. Sendo assim, o próprio processo se faz importante para o aprimoramento da governança global (THORSTENSEN, THOMAZELLA, 2024, p. 213).

Outro ponto que merece atenção é o papel do G20 na redefinição da cooperação internacional diante de um cenário de crescente multipolaridade e fragmentação geopolítica. À medida que novas potências emergem e disputas estratégicas se intensificam — seja no campo tecnológico, energético ou comercial —, o G20 torna-se ainda mais relevante como espaço de aproximação entre o Norte e o Sul Global. A presença simultânea de economias tradicionais, como Estados Unidos, União Europeia e Japão, e de atores emergentes, como China, Índia, Brasil e África do Sul, permite que debates estruturantes incorporem diferentes perspectivas e interesses. Assim, o grupo não apenas serve como termômetro do sistema internacional, mas também como laboratório político capaz de propor caminhos mais inclusivos para o desenvolvimento global, desde que consiga fortalecer seus mecanismos de coordenação e ampliar o compromisso efetivo entre seus membros (THORSTENSEN, THOMAZELLA, 2024, p. 213).


REFERÊNCIAS

  • AGÊNCIA BRASIL. No G20, Lula destaca transição energética e crescimento inclusivo. Agência Brasil, 25 nov. 2025. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2025-11/no-g20-lula-destaca-transicao-energetica-e-crescimento-inclusivo. Acesso em: 25 nov. 2025.

  • THORSTENSEN, Vera Helena; THOMAZELLA, Fábio Jorge de Toledo. O G20 na governança global: criação, evolução, estrutura e funcionamento. Brasília: IPEA, 2024. Disponível em:https://repositorio.ipea.gov.br/server/api/core/bitstreams/55b60bec-7215-480a-9030-5d8461a9b77e/content. Acesso em: 25 nov. 2025.


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