AS PRIVATIZAÇÕES E A RENDIÇÃO DO TAPAJÓS
- Lucas Zanforlin
- 13 de fev.
- 4 min de leitura
PALAVRAS-CHAVE: Anarquismo verde; Amazônia; Privatização; Povos indígenas; Indigenismo; Tapajós; Piotr Kropotkin.

RESUMO
Este artigo visa desenvolvimento argumentativo-analítico do entorno sócio-econômico da floresta Amazônica e seus impactos no ecossistema regional e esfera social-cultural. Aborda visão ecoanarquista e socialista libertária, notavelmente aos escritos de Piotr Kropotkin e Élisée Reclus.
INTRODUÇÃO
A bacia hidrográfica do Rio Tapajós, formulada a partir do rio homônimo, institui 492.000 km² de extensão geográfica, com o rio em si classificado por águas transparentes, singularidade na Amazônia (CAMPANILLI, 2016). Abrange endemismo e alta biodiversidade na fauna e flora local (ibid.).
A concessão dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins à dragagem pela iniciativa privada é resultado direto das negociações durante a COP30 do governo Luís Inácio Lula da Silva, que utilizou do evento promovedor ambiental como palanque para o anúncio das correntes fluviais.
Parte-se, assim, o debate da impotência indígena e a influência do rendicionismo da centro-esquerda brasileira ao governo de coalizão.
DO TEÓRICO
Pelas linhas do ecologismo libertário, fundamenta-se a divisão de classes na coisificação pessimista à natureza humana. Isto é, apresentando-se pelo sistema econômico capitalista e político Estatal, empenha-se os esforços nas tentativas de provar que o ser humano é superior às outras espécies do Animalia (KROPOTKIN, 2009). Disto, objetivada, a classe exploradora, a justificação da alienação expansionista às materialidades da mãe-natureza (ibid.). Expressa suas garras ao anunciar prioridade desenvolvimentista humana, porventura ignorando a origem da espécie, quando em realidade manifesta as engrenagens ao desenvolvimento próprio.
Neste sentido, constrói-se a compreensão do primitivo a partir desta associação, eliminando a civilidade dos grupos externos à superestrutura forçosamente aplicada em busca da fermentação do ódio. Por declararem inferiores aqueles que não estão sob seus domínios, alimentam o maquinário agropecuário, petrolífero e industrial na Amazônia em prol da retirada de quaisquer conquistas por direitos e visibilidade. Assim, o ser humano se esvai da complexidade natural, abandonando a composição plenamente carnal, reconsiderando-se ferramenta às marcações destrutivas e formulando a perfeita representação do homo economicus. Por deste, os que não se enquadram no batalhão produtivo justificam esta metamorfose pelo, o que chamam, de racionalidade natural. Fazem por revirar a existência humana na procura de indícios que sujeitariam a pele à exploração contínua. No processo, os alvos da burguesia são aniquilados, as riquezas anteriormente presentes no solo destituídas de qualquer composição estável e os condomínios externos que estiverem no caminho têm sua cultura e modo de vida igualmente tratados, bem como assimilados. Deste, tomemos exemplos dos povos dos Apalaches, dos Iroqueses, até mesmo dos Iídiches, pois a estes a racionalidade sobrenatural do homo economicus não foi aplicada. Passíveis à dominação foram estes que se tornaram os resquícios da animalização do Homo sapiens, recusando-se a curvar diante dos interesses predatórios, prevalecendo unidos à natureza.
Para com este objetivo, faz-se as correntes adjuntas à Thomas Hobbes, e quaisquer outras que determinam suposta essencialidade da prevalência Estatal burguesa, manifestar o ideal da guerra generalizada, afirmando a natureza humana intrínseca à hostilidade perpétua. Disto, nunca houve nenhuma prova concreta que já tenha acontecido (KROPOTKIN, 2009). Fosse por racionalidade, aplicável apenas às demandas dominantes. Trata-se, portanto, a ciência positivista dos “civilizados” o principal armamento de extermínio (RECLUS, 2010).

DO APLICADO AO SITUACIONAL
Ao teor das funcionalidades sócio-econômicas, a privatização capacita o rendimento de mecanismos público-estatais ao setorial burguês, entregando, por este câmbio, os direitos produtivos respectivos necessários à exploração capital dos fluxos dependentes. Partindo, nisto, a utilização dos recursos presentes, caracterizada pela mão-de-obra proletária e as naturalidades minerais, destinados ao enriquecimento contínuo das estruturas dominantes formalizadas pela própria classe.
Neste contexto, a venda do Rio Tapajós, de nascente na entidade federativa do Mato Grosso e término no Rio Amazonas, apresenta cenário de clara ignorância às necessidades dos povos indígenas locais. Incluídos em conjunto no Programa Nacional de Desestatização, as hidrovias planejadas à construção se expandem, de mesma forma, às regionalidades da bacia do Rio Madeira e bacia do Rio Tocantins. Faz-se, através deste, o furto do direito de existência dos originários.
Adiante, os protestos em Santarém afirmam um palco que os povos habitantes não tiveram durante as negociações burguesas. Levantando, nisto, o questionamento do valor real de uma naturalidade cedida à pacto unilateral pelo meio-ambiente ao poder do Estado e da classe imperante. Reiterando os sacrifícios necessários do explorado para fortalecer a continuidade do sistema.

CONCLUSÃO
Integra-se à discussão do situacional das privatizações na floresta equatorial amazônica diversas visualizações políticas variadas ao dever público. Ao questionar a funcionalidade do privado, toma-se por conta as verdadeiras motivações ecoambientais à conservação. Outrossim, provoca o debate das necessidades sociais e os impactos culturais da comercialização dos afluentes amazônicos. Entendendo, por via, o efeito em cadeia de uma reforma brutal e ininterrupta.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
KROPOTKIN, Piotr. Ajuda Mútua: Um fator de evolução. São Sebastião: A Senhora Editora, 2009. ISBN 978-85-88549-05-0.
RECLUS, Élisée. A Anarquia e os Animais. Piracicaba: Ateneu Diego Giménez, 2010.
NOTA do Cimi em apoio aos povos indígenas do Tapajós mobilizados contra a privatização do rio. Conselho Indigenista Missionário, 2026. Disponível em: https://cimi.org.br/2026/02/nota-apoio-mobilizacao-tapajos/. Acesso em: 12 fev. 2026.
OCUPAÇÃO contra a privatização do Rio Tapajós – Boletim Diário (Dia 22). Em Defesa do Comunismo, 2026. Disponível em: https://emdefesadocomunismo.com.br/ocupacao-contra-a-privatizacao-do-rio-tapajos-boletim-diario-dia-22/. Acesso em: 12 fev. 2026.
BOULOS, Guilherme; FILHO, Silvio Costa; GUAJAJARA, Sônia. NOTA PÚBLICA SOBRE A DRAGAGEM NO RIO TAPAJÓS. Presidência da República, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/secretariageral/pt-br/noticias/2026/fevereiro/nota-publica-dragagem-no-rio-tapajos. Acesso em: 12 fev. 2026.
CAMPANILLI, Maura. Uma visão sistêmica para o Tapajós. WWF-Brasil, 2016. Disponível em: https://www.wwf.org.br/?51922/Uma-viso-de-conservao-para-a-bacia-do-Tapajs. Acesso em: 12 fev. 2026.



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