O PERÍODO ENTREGUERRAS NA FORMAÇÃO DO ESTADO MODERNO DO IRAQUE
- Lucas Zanforlin e Kainã Pinto
- 5 de dez. de 2025
- 11 min de leitura
PALAVRAS-CHAVE: Iraque; Arábia; Síria; Turquia; Oriente Médio; Período Entreguerras; Século XX; Primeira Guerra; História; Geopolítica.

RESUMO
O vigente artigo decorre o estudo de formação do Estado moderno no Iraque e os fluxos separacionistas em toda a península arábica durante o século XX. Acarreta na exploração de conceitos relacionados, buscando ligação entre as agitações preliminares da Revolta Árabe, o fim do Império Otomano e a formação do Iraque.
INTRODUÇÃO
A República do Iraque é reconhecida na academia e nas esferas populares como o palco da invasão norte-americana de 2003 e da insurgência do Estado Islâmico. Além de figurar em diversas produções cinematográficas sobre estes conflitos, a nação é, historicamente, o berço de civilizações mesopotâmicas e centro de califados como o Abássida.
Contemporaneamente, é a invasão de 2003 pelos EUA que configura o evento transformador do Iraque contemporâneo. Alegando a posse de armas químicas, os EUA, junto com uma ampla coalizão internacional, lançaram uma intervenção militar com mais de 295.000 tropas, resultando em imensa violência sectária, guerras civis, mais de 461.000 pessoas mortas e mais de US$ 3 trilhões em gastos (BBC, 2023). Além de tudo isso, houve ainda uma reorganização completa do Estado iraquiano de cima para baixo, apoiando-se em elites políticas minoritárias e reproduzindo padrões históricos de tutela estrangeira. Combinando a imposição estrangeira com a devastação econômica e a incapacidade das elites locais de estabelecerem um governo estável, surgiu uma forte polarização e, como observa Adeed Dawisha (2009), tratou-se de mais um momento em que ao Iraque se concede “um governo, mas nega-se a governança”.
Após a invasão e a saída das tropas norte-americanas em 2011, o Iraque gradualmente tenta se reerguer por meio de programas de desenvolvimento de petróleo e gás enquanto negocia com o Governo Regional do Curdistão sobre lucros petrolíferos, salários e reformas eleitorais (HUMAN RIGHTS WATCH, 2025).
De maneira paralela, atores não-estatais como a Resistência Islâmica, grupo xiita alinhado ao Irã que combate a presença norte-americana, continuam a desempenhar um papel importante na política nacional (ibid.). A presença de um Estado sem a capacidade de exercer o que na sociologia clássica considera-se como o monopólio legítimo da violência (WEBER, 1996), sua dependência em uma potência estrangeira, a dependência econômica baseada em poucos recursos naturais e a fragmentação interna são padrões históricos do Iraque que podem ser localizados no processo de formação do Estado em 1919.
Este artigo, portanto, procura, nas raízes da formação estatal, as razões pela fragmentação iraquiana e suas dificuldades econômicas, políticas e sociais, encontrando, no meio do caminho, um Estado gerido na base da tutela internacional imperialista, coerção de grupos minoritários e construção de governos que falharam em estabelecer bases políticas para uma governança duradoura.
ENTRE SANJACOS E VILAIETES
Inicialmente declaradamente neutros, grande parte da bolha imperial otomana buscava o apaziguamento das tensões da Primeira Guerra Mundial, motivados, em intrínseca parte, pelo atraso bélico das tecnologias utilizadas pelas forças turcas. Em contraponto, a oposição, estes os nacionalistas do parlamento, acreditando que a guerra formulava ótima oportunidade para o renascimento otomano e o impulso necessário para uma segunda Tanzimat, demonstraram litigiosa concordância com a entrada no conflito (ALLAWI, 2014). Disto, representados principalmente nas próprias organizações militares da nação, manipularam pontos-chaves que resultariam na participação turca aliada à Tríplice Aliança, fazendo-se por estas concretas na deliberação da administração naval do Bósforo na liberação de dois navios de guerra alemães, Breslau e Goeben, na entrada ao Mar Negro, resultando no ataque à instalações russas e posterior declaração de estado de guerra respectivo (ibid.).
A repentina entrada do Sublime Estado Otomano na Grande Guerra, ao final de 1914, provocou reações divisórias nas principais cúpulas políticas do Império, particularmente na Sociedade de União e Progresso (CUP), que representava a principal manifestação dos Jovens Turcos, e, portanto, do nacionalismo turco nas engrenagens do governo otomano (ROGAN, 2016). Os domínios diretos de Kostantiniyye, reduzidos ao longo dos anos, alcançavam os principais pontos demográficos da península arábica e, por restante, enraizada influência nos territórios mais ao sul, por relevância à cooperação com o Emirado de Jabal Xamar (ibid.).
Entretanto, fundamentalmente multiétnica, a instável sociedade otomana se provaria parte da razão da queda do Império a partir dos avanços militares das potências da Entente, que, notando a chance perfeita, alimentaram as organizações rebeldes pan-arabistas. Nisto, fez-se, em maio de 1915, por incendiar de revoltosos às margens do Eufrates, que permaneceram ativos até o final do conflito (ibid.). Por 1916, era a vez dos haxemitas ao sul. Em junho de mesmo ano, levantaram-se os de Meca (MURPHY, 2008). A este ponto, fazia-se notável os iniciais da Revolta Árabe e os processos finais de destruição otomana.

O REI DE DAMASCO E BAGDÁ
Ao final da guerra, duas personalidades se destacam, Thomas Edward Lawrence, oficial britânico profundamente conhecido como Lawrence da Arábia pelas instituições inglesas, e Faisal ibn al-Hussein, que viria a se tornar o primário comandante rebelde da segunda fase das revoltas árabes na península. Nesta que, à divisão do Próximo Oriente entre França e Grã-Bretanha pela ratificação do Acordo de Sykes-Picot, apenas revelado posteriormente aos trâmites do conflito, teria a ter novos inimigos materializados pelos europeus.
Em perspectiva disto, recusando-se a se afastar do controle da recém-ocupada Damasco, na Síria, Faisal desafia os planos franceses para o Levante e declara a independência do Reino Árabe da Síria (ALLAWI, 2014). Acarretando, por desta, na guerra franco-síria e as primeiras fundações políticas para o pan-arabismo contemporâneo.
Em continuidade, Lawrence, que havia se tornado conselheiro pessoal de Faisal em colaboração na Grande Guerra, promulga grande papel no convencimento do monarca sírio em capitular à domínio europeu, argumentando pela manutenção da figura política (ALLAWI, 2014). Disto, rende-se a Síria em 1920.
Assim, já tendo pavimentado os caminhos nacionalistas, Faisal recorre à Grã-Bretanha que, ocupando o Iraque com mais de 100 mil unidades de infantaria e ameaçada pelas recentes ondas rebeldes na região, decide por colocar o exilado monarca em poder nas reminiscências do Protetorado da Mesopotâmia Britânica, providenciando à população iraquiana senso de segurança cultural, sincronicamente que estabelece firme ordem política (ibid.).
Por disto, faz-se as intrínsecas problemáticas da formação do Estado iraquiano, e por conseguinte árabes, no descumprimento dos acordos entre nativos e europeus que trariam o controle exterior às terras antes prometidas para independência. Fundamentados em manipulação social, política e econômica pelas nações dominantes através da utilização de personalidades que antes lutavam no lado separacionista, os Estados da península arábica apenas veriam trajetos de liberdade no pós-Segunda Guerra Mundial.

O MANDATO BRITÂNICO COMO RAÍZ DO PROBLEMA
Este artigo identifica a construção do Mandato Britânico na Mesopotâmia como a fonte do problema para a construção de uma identidade nacional iraquiana e de um Estado bem estruturado e capaz de resistir às intransigências internacionais e demandas políticas de atores não-estatais.
O Iraque que antecede a Primeira Guerra Mundial é baseado em três províncias governadas pelo longínquo Império Turco-Otomano que, adotando uma política administrativa relativamente descentralizada, focava seus esforços em conciliar as preocupações e anseios das tribos locais e, simultaneamente, lidar com a chegada do Ocidente e suas demandas em torno de abertura econômica e relações internacionais baseadas no incipiente imperialismo (ALAHMAD, 2021). As três províncias do Iraque — Basra, Bagdá e Mosul — foram ocupadas pelos britânicos gradualmente entre 1914 e 1918. Este processo de ocupação derivado da Primeira Guerra Mundial pode ser considerado um dos primeiros fatores a contribuir ao menos para uma visão geral de pertencimento do povo do Iraque.
Porém, este processo não é isolado. Como bem demonstrado por Vinogradov (1972), o processo de construção de uma identificação com a região do Iraque para além das províncias estava, de maneira incipiente, ligada à penetração no Oriente Médio da existência do estado-nação em meio ao florescimento do nacionalismo na Europa; na formação de um Estado Otomano nacionalista com os Jovens Turcos em 1908; com o aumento de jornais e intercâmbio entre as elites urbanas; e, por fim, com a própria chegada da Primeira Guerra Mundial, fator importante para a desestabilização do controle turco e o surgimento de novos discursos.
Estes discursos são principalmente baseados em uma percepção de guerra santa - jihad - que é simultaneamente apenas religiosa, contra os ingleses, e étnica, contra os turcos. Constrói-se aqui, portanto, em face destas grandes mudanças, a necessidade de um Estado árabe (ibid.).
Porém, chegando-se ao fim da Grande Guerra e o início da ocupação britânica, o que ocorre é a formação de um Mandato colonial endossado pela Liga das Nações que adota um discurso paternalista ao considerar o território incapaz de autogoverno (NATARAJAN, 2011), incapaz de gerir seu próprio caminho e necessitando, portanto, de um “guia civilizatório” (PURSLEY, 2019). Inicia-se, portanto, em 1918-19, um regime britânico de cima para baixo, tutelar, com interesses claros: a cidade de Bagdá como uma rota aérea para o Raj na Índia; a cidade de Basra como posição estratégica no Golfo Pérsico; e, sobretudo, a cidade e província de Mosul como ponto principal de extração de petróleo (NATARAJAN, 2011. GRUEN, 2004).
O Iraque surge, inicialmente, como a junção destas três províncias otomanas, sem considerações britânicas de detalhes demográficos importantes, como: a divisão do país entre 75-80% da população que fala árabe e 15-20% que é curda, concentrada ainda na região de Mosul com sua riqueza petrolífera (MARR, AL-MARASHI, 2017). Desconsiderou-se ainda a importância da autonomia curda e da formação de um Estado próprio — ignorando pedidos da Liga das Nações e os 14 Pontos de Woodrow Wilson — mesmo com este grupo étnico ultrapassando as fronteiras estabelecidas, primeiramente por Sykes-Picot e depois por Sèvres, do Iraque, com curdos na Síria, Turquia e Irã, com, em 2015, mais de 7 milhões de curdos no Iraque, 15 milhões na Turquia, 10 milhões no Irã e 2-3 milhões na Síria (ibid.).
O regime direto britânico durou pouquíssimo tempo. A dominação britânica forte, combinada com a interpretação árabe de que a tradução de Mandato era o de uma colônia inglesa, frustrações com os sacrifícios realizados durante a Grande Guerra e os anseios de nacionalismo pan-árabe presentes no Oriente Médio levaram à Revolta de 1920, considerada um evento basilar para a construção da identidade iraquiana (VINOGRADOV, 1972).
A Revolta de 1920 conseguiu unificar nacionalistas e modernizadores, sunitas e xiitas, curdos e árabes contra a dominação estrangeira (ibid.). Foram necessários 90.000 soldados britânicos e indianos, além da introdução de aviões da Royal Air Force (RAF) para controlar a rebelião e reprimir os anseios autonomistas (NATARAJAN, 2011. DAWISHA, 2009).
Este controle dos céus inaugura o que Sara Pursley (2019) afirma ser uma das maiores inovações de controle biológico e espacial do século XX, sendo considerada uma tecnologia de necropolítica ao permitir o policiamento aéreo e, com ele, a construção das fronteiras nacionais do Iraque, com 130 bombardeios aéreos no país entre 1921 e 1932, cujo intuito era convencer os cidadãos-sujeitos de que estes pertencem não à Turquia, Síria, ou Irã mas, sim, ao Mandato Britânico e, por sua vez, ao incipiente Iraque.
A percepção política do Reino Unido após 1920 focou em uma nova estratégia baseada em um comando indireto do Mandato, como adotado em regiões africanas e com os principados indianos. Os interesses políticos do Reino Unido basearam-se na necessidade de ter figuras passivas e passíveis de obedecerem às ordens do Alto Comissariado britânico. Resulta-se destes interesses o convite de Faisal I, figura-chave na revolta contra a França na Síria, para governar o Iraque como monarca (DAWISHA, 2009). Faisal I, descendente de Maomé por parte de sua tribo da região de Hejaz, onde fica Meca e Medina, foi instalado por meio de um referendo considerado fraudulento por seu baixíssimo rigor e falta de explicação para as comunidades do que estava, de fato, ocorrendo (ibid.). A impopularidade inicial de Faisal ainda é exemplificada pela sua rejeição nas províncias curdas e a falta de outros candidatos no Iraque para a escolha de monarca, algo deliberado pelo Reino Unido dado a pluralidade de líderes tribais de distintos grupos étnicos e religiosos (ibid.).
A construção constitucional da monarquia, baseada em fortes poderes executivos foi, ainda, de amplo interesse britânico por haver mais facilidade — interesse este registrado pelo Alto Comissário britânico no Iraque, Henry Dobbs — de se controlar uma figura do que uma instituição parlamentar inteira (ibid.).
Ainda assim, o Reino Unido, a despeito de uma maioria de 55% de xiitas no Iraque, estruturou uma elite político-econômica árabe sunita e urbana que manteve forte controle durante toda a monarquia (1920-1958) (OSMAN, 2014). Durante todo este período monárquico, cerca de 66% de todos os ministros eram sunitas enquanto os curdos sofreram ainda repressões militares por parte do Estado durante a revolta de Sheikh Mahmoud (1920-1931), líder curdo que procurava estabelecer um Estado autônomo e sofreu imensas represálias devido aos interesses de manter o controle de recursos petrolíferos de Mosul e um Estado com fronteiras já definidas (ibid., IZADY, 2004).
Esta construção de uma elite minoritária e a “necessidade” de preservá-la ainda foi construída com base em argumentos racializadas de que xiitas eram grupos “tribais” e “menos desenvolvidos” e que o Iraque necessitava da presença britânica ou poderia entrar em colapso, seja em anarquia, domínio turco, russo ou, até mesmo, uma teocracia xiita (DAWISHA, 2009. FONTANA, 2010). Como fonte ainda maior destes interesses, as eleições de 1924 aumentaram deliberadamente o peso político dos sunitas por meio de distritos eleitorais com maior peso para estes, enquanto reduzia a dos xiitas, já enfraquecidos pela repressão de 1920 (ibid.).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Sumariamente, faz-se passível de observação as circulações coloniais no Iraque à desotomanização dos territórios ocupados e a certificação de guarnecimento estadista pela força militar e hierárquica, infiltrando nas atividades de uma sociedade que não tinha visto governo reconhecido próprio desde os Abássidas.
Percebe-se, portanto, que durante todo este período inicial do Mandato que dura até 1932, o Estado iraquiano foi moldado por imperativos coloniais, pela centralidade estratégica do petróleo com concessões da monarquia para que os britânicos extraíssem e mantivessem os lucros petrolíferos até o governo baathista nos anos 1970, e pela manutenção de uma elite sunita minoritária no poder, em detrimento da maioria xiita e da população curda. Essa arquitetura institucional criou, portanto, as bases estruturais dos conflitos que atravessaram o Iraque ao longo do século XX e que continuam a determinar sua política contemporânea.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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