"QUERO BANHAR'ME COM TEU SANGUE" : MIANMAR E O GENOCÍDIO ROHINGYA
- Kainã Pinto

- 21 de out. de 2025
- 14 min de leitura
Atualizado: 24 de out. de 2025
Palavras-chave: Violência de Estado; Alterização Jurídica; Nacionalismo Étnico-Religioso; Legado Colonial; Limpeza Étnica; Políticas de Apagamento.

“Os rohingya acabaram em nosso país. Em breve, todos nós estaremos mortos ou desapareceremos,” disse um antigo professor e figura política em Mianmar em 2017 quando as operações militares do governo, o Tatmadaw, começaram, queimando mais de 288 vilarejos distintos, forçando 700.000 rohingya a escaparem de estupros, execuções sumárias e tortura. As operações militares do Estado em 2017 foram uma de dezenas de ações realizadas contra minorias étnicas desde o período anterior à independência de Mianmar. Nessas ofensivas, os rohingya têm sido as principais vítimas de apagamento, tortura e apatridia.
Este breve artigo procura trazer a situação dos rohingya e as ações tomadas pelo Estado de Mianmar contra eles de volta à tona após discussões importantes e recentes sobre genocídio e atenção internacional como no caso da Faixa de Gaza. Seu objetivo principal é responder à seguinte questão: de que forma a estrutura histórica e jurídica de Mianmar possibilita a continuidade do genocídio rohingya desde o período colonial até o presente? 2. UMA INTRODUÇÃO AO GRUPO ÉTNICO ROHINGYA
O grupo étnico rohingya é uma das diversas minorias existentes em Mianmar. Majoritariamente muçulmana, essa população, segundo o censo da ONU de 2014, correspondia a 2,3% do total de habitantes do país.
O povo rohingya localiza-se, em sua maior parte, no estado de Rakhine, que beira o Golfo de Bengala. Trata-se de um dos estados mais pobres do país, carente de oportunidades de emprego e infraestrutura básica. Nesse contexto, há uma competição direta por recursos estatais entre os muçulmanos rohingya e os budistas bamar. A região também possui uma fronteira fluvial com Bangladesh ao norte, por onde são realizados os cruzamentos de refugiados. Em 2019, no estado de Rakhine, aproximadamente 35,6% da população eram muçulmanos rohingya. Atualmente, os cerca de 2,5 milhões de rohingya compõem uma das maiores populações apátridas do planeta.

Fonte: Encyclopedia Britannica

Fonte: Al-Jazeera
AS RAÍZES HISTÓRICAS
3.1. O PERÍODO COLONIAL (1885-1947)
A literatura aponta que a origem do conflito entre os rohingya e a maioria bamar está no período colonial e com a formação de um único Estado na região. Há evidência histórica de que, por mais que Mianmar exista há séculos com diversos reinos, não havia um Estado-nação anterior ao século XIX mas, sim, diversos centros de poder e descentralização do poder central com conexões com a Índia, China e o Sudeste Asiático, permitindo uma autonomia que não seria vista posterior a 1962.
O processo colonial conduzido pela Grã Bretanha procurou estabelecer uma administração com divisões étnicas entre territórios diretamente controlados pelo governo colonial - com maioria bamar - e um governo indireto para regiões minoritárias. Foi este mesmo processo colonial que implementou uma série de benefícios à população muçulmana e hindu, tanto locais quanto migratórias, com cargos administrativos, militares e também com apoio direto na educação. É por meio deste apoio e também pelo sucateamento da educação para a população bamar, inclusive com baixos investimentos nos centros de educação budistas, além de frustrações econômicas pelo isolamento da população bamar a trabalhos manuais, que surgem desconfianças, percepções e discursos de que os rohingya e outros grupos minoritários eram colaboradores da administração, se beneficiando economicamente do esforço da maioria da população.
É neste período colonial que surge violência religiosa e étnica, especialmente nos anos 1930, com a intensificação das agremiações políticas de burmeses budistas com o interesse em independência imediata da administração colonial, havendo incidentes de violência étnica em 1938 e 1942. Durante a Segunda Guerra Mundial, em meio à ocupação japonesa e caos econômico, houve uma série de rebeliões étnicas e alianças distintas entre os atores locais. Alguns exemplos incluem os rohingya, favoráveis à Grã Bretanha e os aliados, os karen e os kachin, favoráveis à independência, e os burmeses, favoráveis à uma colaboração japonesa.
Posterior ao fim da guerra, grupos ativos de rohingya demandaram autonomia na região norte de Rakhine. O principal argumento era que a população colaborou com os esforços dos aliados e sofreu de maneira desproporcional em meio à violência da guerra. Esta demanda foi negada pela administração colonial. A desconfiança e os argumentos posteriores do Tatmadaw de que os rohingya eram separatistas surge com as reuniões fracassadas de representantes rohingya com representantes do movimento de independência paquistânes e Mohammed Ali Jinnah em 1947, onde os representantes rohingya requisitaram a anexação da parte norte de Rakhine ao Paquistão.
Foi também em 1947 que o país obteve a sua independência e, em sua constituição e na sua Lei de Cidadania de 1948, os rohingya são reconhecidos formalmente como cidadãos, obtendo direitos completos à voto e proteções legais, além de representação no legislativo.
Pode-se analisar, portanto, que é no período colonial que se instalam as bases para a explosão de violência étnica, geralmente porém não exclusivamente perpetrada pelo Tatmadaw que obtém uma grande parte de sua legitimidade a partir de um discurso nacionalista e religioso que surge com as consequências do governo britânico ao implementar uma política administrativa de divisão étnica que provocou frustrações econômicas.
São estas políticas que reforçaram o desejo das minorias étnicas por autonomia — algo anterior à dominação britânica — e, ao mesmo tempo, consolidam a percepção dos rohingya como estrangeiros e imigrantes, um Outro que é fruto de políticas migratórias britânicas que também é enxergado como traidor por colaborar com os Aliados durante a Segunda Guerra Mundial.
3.2. O PERÍODO PARLAMENTAR E O REGIME MILITAR DE NE WIN (1947-1988)
Em 1947, o Estado de Mianmar obteve sua independência. Oficialmente uma república parlamentar, o Estado foi concebido com base em um forte nacionalismo bamar com ênfase no budismo. O Estado possuía forte oposição à percebida dominação econômica de grupos étnicos e religiosos, como muçulmanos e cristãos, vistos como alheios à nação. O país já saiu da independência com uma série de rebeliões étnicas que demandam autonomia e, também, com rebeliões de mudanças de regime como no caso de partidos comunistas locais.
Em 1958, a democracia parlamentar entra em colapso após uma forte crise econômica e debates paralisantes no principal partido, a Liga Antifascista para a Liberdade Popular (APFL). O Tatmadaw logo começou sua ascensão como o principal ator político nacional. A partir deste momento, com o colapso do bem-estar material, o nacionalismo budista se intensifica como uma maneira dos atores políticos obterem legitimidade em face de uma série de insurgências, críticas midiáticas, uma economia em colapso e divisões institucionais.
Em 1962, o Tatmadaw, liderado por Ne Win, executa um golpe de estado devido a forte oposição à ideias do governo de estabelecer um regime federal e não unitário em Mianmar, estabelecendo um regime com discurso socialista mas com uma mistura de crenças tradicionais e budistas, com reformas econômicas desastrosas e um regime autoritário que, ao perder rapidamente o seu apoio interno, focou na expulsão de estrangeiros, em perseguições internas e lutas contra insurgências ressurgentes.
Foi também a partir de 1962 que o regime perseguiu com maior brutalidade os rohingya, com a promulgação de uma lista de 135 grupos étnicos no país sem incluir os rohingya. Em 1964, o governo adotou uma Lei de Segurança Nacional que baniu todas as organizações rohingya de 1966 até 1988. A partir de 1974, com o colapso econômico, uma nova constituição e com a Ato Emergencial de Imigração, o governo implementou documentos de identificação étnica e removeu a possibilidade dos rohingya de comprovar a sua cidadania, removendo as cláusulas nas quais os cidadãos teriam que comprovar ter avós de uma “etnia indígena ao Mianmar” ou ter vivido em Mianmar antes de 1942. Os rohingya receberam documentos de identificação que legalmente os classificavam como estrangeiros.
Essa exclusão legal dos rohingya permitiu, em 1977-1978, que o governo implementasse a operação Nagamin, um programa de expulsão em massa de “imigrantes ilegais” onde o Tatmadaw, cometendo violência sexual e homicídios, expulsou mais de 200,000 rohingya para Bangladesh.
Em 1982, a nova Lei de Cidadania foi mais um passo para o fim dos direitos dos rohingya no país. Os requerimentos de comprovação de cidadania incluíam a capacidade do aplicante de falar uma das línguas nacionais e comprovar a presença de ancestrais em Mianmar antes de 1948. A grande maioria dos rohingya não possuíam estes documentos por não serem entregues a eles pelos britânicos, além de já terem perdido uma grande capacidade de comprovação com a operação Nagamin em 1977-78 - ou seja, a legislação os condenou a um caminho de apatridia. É importante ainda considerar que a legislação de 1982 eliminou completamente a antiga lei de 1948.
Durante o domínio do Tatmadaw, observa-se a consolidação de um colonialismo interno. O exército queimou vilarejos e expulsou rohingya de seus territórios, exercendo um poder direto sobre seus corpos. Diante do colapso econômico e das tensões partidárias, o Estado transformou os rohingya em alvo central de sua campanha nacionalista-religiosa. Essa transformação ocorreu de forma gradual: primeiro como cidadãos, depois como estrangeiros minimamente tolerados, e finalmente como inimigos a serem eliminados, especialmente após a operação Nagamin.
3.3. A REDEMOCRATIZAÇÃO, O NOVO GOLPE (1988-2020)
Posteriormente, com o colapso do regime militar em 1988 e o recuo temporário do Tatmadaw da liderança, surge uma onda de nacionalismo budista radical que se interliga com o Estado para atacar os rohingya e culpando-os pelos problemas econômicos e sociais que o país enfrentava. Os rohingya foram escolhidos novamente por serem uma população já vista com profunda hostilidade pela classe clériga do budismo, por serem distintos de maneira étnica, religiosa e linguística da maioria birmanesa budista, e por um discurso propagado pelo Estado de que os rohingya foram figuras que desejaram um Estado islãmico independente desde 1947 para governar o país inteiro.
Nos anos 1990, o Estado passou a atuar em conjunto com o Tatmadaw, partidos políticos e grupos budistas extremistas. Essa rede de atores trabalhou para deslegitimar a existência dos rohingya e transformar o ódio contra eles em uma válvula de escape para as tensões domésticas. Esta década é quando ocorre campanhas militares contra os rohingya em 1991-92, forçando mais de 250.000 a fugirem para Bangladesh, sendo que, entre 1993-97, mais de 230.000 são forçados à retornarem, sendo sujeitos a um regime de trabalho forçado para a construção de vias públicas, pontes e habitações, sendo sujeitos à destruição de mesquitas e a sofrerem execuções, estupros e atos de tortura.
A presença de grupos radicais budistas como o 969 e o Ma Ba Tha contribuem imensamente com um discurso de extermínio contra os rohingya, se referindo a eles como “cães”, “cobras” e “pulgas”, além de se recusarem a se referir a eles como rohingya propriamente ditos, utilizando o termo “bengali” que implica em um Outro alheio à história nacional. Estes grupos ainda utilizam um discurso de que o budismo está sob um cerco em face da modernidade, globalismo e o islã. Este discurso se intensificou após 2001 e a guerra ao terror.
Em 2010, grupos budistas protestaram contra a decisão do governo de permitir votos a muçulmanos na região de Rakhine. Estes mesmos monges budistas expressaram sua predileção por uma expulsão completa dos muçulmanos da região de Rakhine.
Em 2012, após ataques por extremistas budistas - o fruto de uma combinação de um discurso desumanizador, um Estado com a onipresença do Tatmadaw, uma classe política completamente desinteressada em proteção dos rohingya e um estupro de uma mulher budista por homens muçulmanos, culminou em ataques coordenados e endossados pelo Estado. Esta onda de ataques, com estupros em massa, destruição de propriedade e massacre contra os rohingyas levou a mais de 120.000 pessoas viverem em campos de refugiados internos onde são negados os direitos de locomoção, reprodução e casamento, além de restrição de alimentar e condições de vida que contribuem para o aumento de doenças. Mais de 100,000 rohingya tentaram fugir do estado, com mais de 1,000 morrendo no caminho. Foi ainda em 2012 onde ocorreram diversos massacres e mais de 200 pessoas rohingya, incluindo crianças, foram mortas pelo exército, além da queima de campos.
Em 2015, o governo adotou projetos de lei que contribuem ainda mais para a exclusão completa e inequívoca dos rohingya. O governo aprovou leis que requerem aprovação do Estado para o casamento entre mulheres budistas e pessoas não-budistas, além de controle da população com um limite de dois filhos para os rohingya e controles ainda maiores de movimento. No processo de permissão para casamentos, os muçulmanos rohingya são forçados a tirar fotografias da noiva sem hijab e o noivo sem barbas ou bigodes, violando, portanto, princípios importantes do islã.
No mesmo ano, 25.000 rohingya, tentando escapar, sofreram abandono ao mar por traficantes de pessoas, morreram, ou foram encontrados em covas rasas. Foi ainda neste mesmo período que os rohingya perderam seus cartões de identificação entregues com a lei de 1982, ou seja, perderam qualquer reconhecimento ou capacidade de exercer seus direitos políticos básicos.
Foi também em 2015 que Aung San Suu Kyi, recipiente do Nobel da Paz, foi eleita como presidente do país. Logo após, em 2017, a crise se agravou novamente após um ataque pelo Exército da Salvação dos Rohingya de Arakan (ARSA), uma pequena insurgência que, após cometer um ataque a uma base militar do exército e alguns postos policiais, sofreu represálias que levaram a violações imensas de direitos humanos para toda a população rohingya, com assassinatos, estupros coletivos e incêndios que forçaram 700.000 rohingya a fugirem do país, com a destruição de mais de 40% dos vilarejos do norte de Rakhine. Este conjunto de operações militares com uma direta colaboração de grupos radicais budistas foi a culminação de um longo processo discursivo e legal de políticas contra os rohingya e pode ser classificado como genocídio de acordo com a Convenção da ONU de 1948 sobre o Genocídio.
Ao invés de criticar o genocídio rohingya, Aung San Suu Kyi argumentou que as operações de 2017 foram atos legítimos de ações contra terroristas e, em 2018, com um aumento nas críticas internacionais por grupos de direitos humanos, ela manteve seu discurso baseado na lógica da guerra contra o terror e que as ameaças que levaram às operações de 2017 ainda existiam na região.
O período pós-1988 é, portanto, um período de expansão da dominação dos rohingya para além do Tatmadaw. O fim do monopólio de poder por meio das forças armadas em 1988 não levou ao fim do extermínio, mas, sim, à sua expansão por meio de diversos atores que interagem entre si para perpetuar estes massacres. Essa rede de discursos e políticas públicas envolve as classes budistas, as elites políticas, a população bamar e as forças armadas que procuram culpar o Outro claramente identificado pelos problemas da nação. O principal elemento que se enxerga com o pós-1988 é que a perseguição sistêmica não se limita ao regime militar e o discurso, sua lógica e suas redes transmitem-se por toda a sociedade bamar.
3.4. A SITUAÇÃO ATUAL (2021-2025)
Em 2021, o governo de Mianmar foi derrubado, novamente, pelo Tatmadaw que, argumentando que houveram fraudes nas eleições de 8 de novembro de 2020, removeram Aung San Suu Kyi e os membros de seu gabinete. O que se seguiu foi a implementação de uma ditadura militar altamente repressiva que remete ao governo de Ne Win, com mais de 6.000 mortos, 20.000 presos e 3,5 milhões de pessoas desalojadas, com 2024 sendo o pior ano para a população rohingya desde os massacres de 2017.
Hoje, após mais de um século de violências étnicas, 630.000 rohingya permanecem no estado de Rakhine, sujeitos a abusos que resultam em crimes contra a humanidade de apartheid, persecução e privação da liberdade, além de 150.000 em campos de refugiados. Desde fevereiro de 2025, o exército recrutou de maneira forçada milhares de homens rohingya, aumentando ainda mais as tensões entre as comunidades muçulmanas rohingya e as comunidades budistas Rakhine da região. Desde novembro de 2023, mais de 380.000 pessoas em Rakhine e Chin foram forçadas a saírem de seus lares.
As organizações multilaterais, por sua vez, especialmente a ONU, afirmou que o que está acontecendo em Mianmar constitui genocídio mas não houve uma atuação concreta por parte de países regionais ou internacionais para impedir a violência na região. A União Europeia e os países que os compõem, como a Alemanha, Itália e Áustria receberam ainda Min Aung Hlaing, uma das principais figuras responsáveis pelo genocídio.
4. CONCLUSÃO
A análise mostra que o extermínio dos rohingya resulta de uma combinação de fatores interdependentes. Primeiro, a Grã-Bretanha instituiu políticas coloniais de divisão étnica. Depois, a formação do Estado-nação birmanês uniu nacionalismo bamar e religião budista. A seguir, consolidou-se um arcabouço jurídico que institucionalizou a alterização. Esse mesmo aparato legal legitimou a repressão estatal e colaborou para a criação de atores não estatais, como o ARSA. O resultado foi o uso sistemático da violência física para disciplinar e eliminar corpos considerados alheios à nação.
Entende-se ainda que, atualmente, em Mianmar, há uma combinação de três atores principais: 1) o Tatmadaw; 2) a classe política; e, 3) grupos budistas radicais que dialogam entre si e colaboram com redes discursivas para facilitar e legitimar a limpeza étnica dos rohingya, independente de fato se o regime é democrático - como aquele eleito em 2015 - ou não, com o extermínio ocorrendo da mesma maneira.
Por fim, este artigo, acima de qualquer outra coisa, procurou reviver as informações e discussões em torno do genocídio rohingya e conscientizar os leitores sobre o que ocorre em Mianmar. Citando um dos sobreviventes do genocídio em 2017, “Por quatro dias andamos por colinas, campos e rios. Andamos por muitos vilarejos que foram queimados. Não havia mais ninguém.”.
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¹Tatmadaw é o termo em burmês para “forças armadas” e tende a ser associado ao poder independente exercido pelo exército desde a Segunda Guerra Mundial.
² O governo britânico encorajou a imigração de populações do Raj britânico à região de Mianmar para exploração econômica e a construção de uma classe comercial.
3 Apenas 12% do exército era composto pela etnia bamar em 1940.
4 Uma figura importante para o nacionalismo de Mianmar era um monge budista - U Ottama (1879-1939).
5 A economia de Mianmar era fortemente baseada na produção de arroz e, portanto, dependente de flutuações econômicas, resultando em fortes crises nos anos 1950, com aumento da inflação, queda nas reservas internacionais e aumento nos custos de vida.
6 O documento utilizado para justificar o regime de Ne Win em 1963, ‘O Sistema de Correlação do Homem e seu Ambiente’, possui uma combinação de terminologia marxista e budista.
7 Esta lista é ainda utilizada pelo governo de Mianmar.
8 A classificação dos rohingya como estrangeiros facilitou a narrativa do Tatmadaw de que os mesmos são alheios à história de Mianmar ao classificá-los como tal, justificando as ações tomadas desde os anos 1990 e, especialmente, a partir dos anos 2000.
9 O Ma Ba Tha, em específico, é responsável pelo boicote de empresas de famílias muçulmanas e pela defesa aberta de violência contra muçulmanos.






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