Intervencionismo Americano
- Francesco Casali e Gabriel Aoki
- 10 de fev.
- 21 min de leitura
Palavras-Chave: EUA, Israel, Irã, Palestina, Venezuela, Groenlândia, Brasil, América Latina, Doutrina Monroe, Corolário de Roosevelt, Theodore Roosevelt, Woodrow Wilson, Intervencionismo, Isolacionismo, OTAN, Gladio, Bretton Woods.

Introdução
Desde a eleição de Donald J. Trump nos EUA, toda ação dele é o centro dos holofotes, seja nacional ou internacionalmente, seja no Irã, Israel, Groenlândia, Venezuela ou no Brasil, direta ou indiretamente, as movimentações de Trump ocasionalmente afetam a soberania nacional de diversas nações, porém, ao contrário do que muitos podem pensar, esse comportamento não é exclusivo do recém-eleito presidente, mas sim uma tendência estadunidense a qual é exaltada ou não, dependendo do governo.
Por este artigo, nos proporcionamos a dissecar o histórico intervencionista e imperialista dos EUA, durante todo o século XX e XXI, eventualmente abordando a gestão atual de Trump, suas semelhanças ou diferenças com o resto da história norte-americana. Para enfim, propor uma reflexão sobre o impacto e significância dessa posição de poder global a qual os EUA habitam há tantas décadas.
Intervencionismo Americano 1900-50
Ao tratar do intervencionismo estadunidense no começo do século XX, se analisa um sistema internacional anterior à existência da ONU, para isso, é fundamental abordar o vigésimo sexto presidente dos EUA, Theodore Roosevelt. Presidente de 1901 até 1909, também era um escritor e soldado, premiado com o Nobel da Paz em 1906 por mediar o acordo que daria fim à Guerra Russo-Japonesa (1904-1905). Roosevelt é um dos rostos das presidências americanas mais populares até hoje, em grande parte graças a ter ganho uma representação, ao ter seu resto esculpido no monte Rushmore em 1941 juntamente de George Washington, Abraham Lincoln e Thomas Jefferson.
Durante a presidência de Roosevelt, 2 políticas são fundamentais entender, a primeira, é a Política do Big Stick, a qual em sua essência, consiste em negociar com nações cujo poder militar, econômico e político são inferiores, ameaçando-as com o constante medo de um conflito contra os EUA. Um primário exemplo dessa estratégia simples, porém eficaz de Roosevelt, deu-se durante as negociações com a Colômbia para a construção do canal do panamá. Na época, o Panamá ainda não era um Estado independente e após o senado Colombiano rejeitar a proposta da casa branca, tropas foram enviadas para a costa do país latino-americano. Naquela ocasião nenhum conflito acabou envolvendo as tropas norte-americanas uma vez que graças à revolução Panamense, independência foi obtida e a aprovação do senado Colombiano tornou-se desnecessária.
A segunda política notória do governo Roosevelt, aproxima-se muito e trabalha juntamente da anterior, trata-se do Roosevelt Corollary, ou Corolário de Roosevelt em português, o qual foi adicionado à Doutrina Monroe (1823), em um discurso perante a Câmara estadunidense em 1904. Relembrando, a Doutrina Monroe, criada pelo quinto presidente dos EUA, James Monroe, estabelecia uma independência política internacional entre o continente americano e europeu, onde os EUA não iriam interferir nos afazeres internos Europeus, e quaisquer ações opressivas por parte de nações Europeias, em qualquer país das Américas, seria tratado como um ataque contra os EUA. O Corolário de Roosevelt, acrescenta à Doutrina Monroe, que quaisquer irregularidades flagradas em países da América Latina justificam uma intervenção estadunidense nos afazeres internos de dado Estado.
Evidente que de acordo com o próprio Roosevelt, o seu Corolário não serviria para invocar ações desnecessariamente agressivas ou ditatoriais, porém a veracidade disso pode facilmente ser questionada. Em diversas ocasiões durante seu governo, potências europeias ameaçaram recém-estabelecidos Estados, pós-coloniais latino-americanos, demandando o pagamento de dívidas, os EUA interviram em múltiplas ocasiões, apenas para repor a ameaça e dívida europeia, por aquela estadunidense, efetivamente deslocando o receptor da dívida, porém não ajudando a população local.
O segundo indivíduo, de vital importância para esse tópico, é o vigésimo oitavo presidente dos EUA, Thomas Woodrow Wilson (1913-1921), o qual atravessou maior parte da Grande Guerra como um isolacionista, e fez desse fato grande orgulho para sua reeleição em 1916. Apesar disso, mesmo que de maneira tardia, os EUA adentraram na guerra em 1917, porém apenas participaram dela por 18 meses em ao após muita pressão pública e política. Mesmo sendo o presidente que guiou o país através da Primeira Guerra Mundial, Woodrow Wilson é lembrado como um pacifista ou isolacionista, em janeiro de 1918 escreveu os seus 14 pontos visando um pacífico pós-guerra, os quais também serviram como base ideológica para a criação da liga das nações.
Nas seguintes décadas, no período entre guerras, os EUA se encontraram em uma onda isolacionista causada por diversas razões, os esforços pacifistas de Wilson, a existência da liga das nações, a grande depressão em 1929, o recuo social do pós-guerra, a lei seca, o medo vermelho na Europa. Até a chegada da Segunda Guerra Mundial, os EUA encararam aquele que talvez tenha sido o período mais isolacionista de sua história desde sua independência.

Intervencionismo Americano 1950-2010
Após a derrota de Hitler e o fim da Segunda Guerra Mundial, o mundo entrou outra guerra como nunca vista, a Guerra Fria, em um contexto de constante competição entre USA e URSS por influência, poder econômico, militar, político e social, guerras por procuração se tornaram a norma.
A guerra fria apresenta um interessante paradigma para o fim desse artigo, uma vez que se procura expor e dissertar sobre diversos casos intervencionistas estadunidenses, com a pretensão de criticar tais ações ou, no mínimo, deixar uma interpretação aberta para o leitor julgar. Porém, o contexto da Guerra Fria, é extremamente especial, uma vez que essa guerra não foi disputada diretamente entre os dois lados, mas sim disputada através de guerras por procuração, as quais, por natureza, podem ser definidas como ações intervencionistas dos dois lados. Dito isso, acredito não deveríamos apenas ignorar o período da guerra fria, e desconsiderar eventuais erros cometidos pelo governo dos EUA, no esforço de vencer os soviéticos. Porém, iremos sim, relevar alguns conflitos, partindo da visão que se trata de um resultado da Guerra Fria.
Com a fundação da OTAN em 1949, com seu princípio de impedir o expansionismo soviético, a organização, acabou, auxiliando os EUA em diversas ações política e militares da Guerra Fria, e como já estabelecido, em algumas ocasiões, erros foram sim cometidos, dessa forma, associar a responsabilidade das ações da OTAN àquela dos EUA é concebível.
Dentre os muitos esforços estadunidenses durante a guerra fria, a espionagem foi talvez um dos campos mais fundamentais e desenvolvidos, exatamente por isso que muitos eventos pontuais continuam sem resposta até hoje ou, apenas se foi resolvido os mistérios décadas após os fatos, com a liberação de documentos. Um tal exemplo, foi o caso da operação Stay Behind e Gladio. A operação Stay Behind como um todo, procurava organizar grupos secretos em diversas nações europeias para que em uma eventual invasão soviética, poderiam auxiliar as forças armadas americanas a retomar o território invadido, seguindo o exemplo da MI-6 na Segunda Guerra Mundial. Entretanto, na prática, os EUA, juntamente da recém-formada OTAN, organizavam, patrocinavam e acobertavam diversos grupos terroristas na Europa, a operação Gladio, refere-se especificamente aos eventos decorridos na Itália, uma vez que lá a comoção pública foi maior.
O contexto italiano dos anos 60 até os 80, ficou conhecido como Anni di Piombo, ou “Anos de Chumbo” em português, durante os quais a península itálica foi marcada por um período de instabilidade política e terrorismo doméstico como nunca visto e que até hoje é lembrado e tem repercussões tanto na mídia, como na política e na vida da população. Massacre da Praça Fontana (1969), Massacre do Italicus (1974) e o Massacre de Bolonha (1980), são alguns dos mais notórios ataques terroristas da época, é estimado que entre janeiro de 1969 e dezembro de 1987, tiveram mais de 14591 casos de violência com motivações políticas na Itália, deixando para a história, no total, 491 mortos e 1181 feridos. Durante as investigações dos diversos casos listados, assim como em muitos outros, repetidamente, foi notado o esforço dos Carabineiros (equivalente à polícia local) e da SIFAR [Serviço de Informações das Forças Armadas], posteriormente renomeada para SISMI [Serviço de Inteligência e Segurança Militar], para ocultar os envolvidos, e encerrar os processos jurídicos.
Em 1984 Vincenzo Vinciguerra, membro da Ordine Nuovo, foi forçado a depor pelos seus ataques terroristas, e em seu discurso revelou a existência de uma espécie de mecanismo interestatal, proveniente de fora da Itália, através do qual diversos policiais, juízes, ministros e membros dos serviços secretos, apoiavam e escondiam os ataques dos holofotes da mídia e das balanças da justiça, assim explicando a existência da Gladio e seu suporte fornecido pela OTAN. Na época o depoimento de Vinciguerra foi extremamente alarmante, porém desconsiderado por muitos dada sua posição como um terrorista neofascista. Apenas nos anos 90, com o fim da guerra fria, muitos documentos antigos foram desarquivados e a população teve acesso a uma biblioteca muito mais ampla, confirmando a verdade por trás das palavras de Vinciguerra. Assim marcando na história esse escândalo esquecido de intervencionismo estadunidense, através do apoio da OTAN.
Com o fim da Guerra Fria, os EUA emergindo vencedores, durante os anos 90 e 2000 operaram quase que livremente com pouca resistência, dada a avassaladora potência militar, econômica e política, agora, indisputada, que se tornaram. Apesar de convenções, acordos, e alianças internacionais ainda existirem, não era de interesse de nenhum Estado se opor diretamente contra os interesses da Casa Branca. O caso de maior relevância durante essa época, é a Guerra ao Terror, a qual foi a resposta americana após o atentado de 11 de setembro em 2001. Os EUA promoveram uma campanha antiterrorista em diversos países do oriente médio, notoriamente, grandes operações foram mobilizadas no Afeganistão e Iraque, porém operações foram feitas em diversos outros Estados da região. Independentemente da sua balança moral sobre essa guerra, é, por definição, inegavelmente, outro caso de intenso intervencionismo estadunidense, invadindo a soberania de vários Estados.
Ascensão Como Poder Mundial
A recente ascensão de países emergentes como a China vêm colocado a hegemonia estadunidense em questionamento, no entanto, os EUA ainda se destacam como a maior potência econômica atual, e exerce sua influência no âmbito internacional de diversas maneiras.
Durante as décadas de 1940 e 1950, os EUA eram responsáveis por em torno de 82% das grandes inovações tecnológicas, além de deter 59% das reservas de petróleo mundiais (KEOHANE, 1991). Ao final da Segunda Guerra Mundial e com a Guerra Fria, a nação passou a representar a liberdade capitalista, com o chamado "Sonho Americano”, o domínio militar, econômico e cultural; aliando-se a Europa a partir da OTAN, além de impor a dolarização da economia com o sistema Bretton Woods entre 1944 a 1977.
O fim da 2ª Guerra Mundial levou a uma Europa desestabilizada e em crise, e na visão americana, propensa a filiar-se ao comunismo soviético. A fim de impedir tal acontecimento, foi adotado o Plano Marshall, onde os Estados Unidos direcionaram 13 bilhões de dólares para o leste europeu durante os anos de 1948 até 1951, incentivando a liberalização da economia, além de fortalecer a imagem estadunidense como uma nação exemplar e benevolente.
Mesmo após a dissolução do sistema Bretton Woods, ao início dos anos 2000 os Estados Unidos ainda detinham em torno de 70% das reservas do Fundo Monetário Internacional, fator importante que ajudava a constringir e monitorar os países emergentes. Em 2025, passou a representar 57% destas reservas, ainda um número significante, porém demonstrou uma queda de investimentos por parte americana, enquanto a China, por sua via, dobrou seus esforços. Durante o atual mandato Trump, o aumento das tarifas como medida punitiva também vem quebrando a confiança internacional do dólar, acelerando o processo de desdolarização da economia.
Além da dominação econômica, a hegemonia americana justificava sua existência através do conceito de Excepcionalismo Norte-Americano, comumente também referido como Idealismo Wilsoniano (referente aos 14 Pontos de Wilson, ao fim da 1ª Guerra Mundial). Em suma, trata-se de uma ordem internacional liberal, onde os Estados Unidos, com sua democracia e liberdade exemplares, detêm o dever de guiar todas as nações para aquilo que era "correto", introduzindo-as direitos humanos, propriedade privada, e a igualdade.
“Os líderes dos Estados Unidos sempre falaram com orgulho dos princípios sagrados do país. Essa história tem sido consistente desde a fundação. Os EUA são uma “cidade brilhante na colina”, um exemplo para o mundo, uma “nação indispensável” excepcional dedicada à liberdade e à democracia. O presidente é o “líder do mundo livre”. Os EUA “são e continuarão sendo a maior força pela liberdade que o mundo já conheceu”, como disse Barack Obama. George W. Bush descreveu os EUA como “uma nação com uma missão — e essa missão vem de nossas crenças mais básicas. Não temos desejo de dominar, nem ambições imperiais. Nosso objetivo é uma paz democrática”. O governo dos EUA é honrável. É capaz de cometer erros, mas não crimes. Um crime exigiria intenção maliciosa, da qual não temos nenhuma. Os EUA são continuamente enganados por outros. Podem ser tolos, ingênuos e idealistas — mas nunca são perversos.” (NOAM CHOMSKY; ROBINSON, 2024. Tradução própria)
Histórico Intervencionista dos EUA no Brasil
A Era Vargas (1930-1945) no Brasil coincidiu com a política de Boa Vizinhança de Roosevelt (década de 1930), onde os EUA diminuíram suas intervenções militares para, ao invés disso, promover a cooperação econômica, o respeito à soberania e o intercâmbio cultural. A introdução de tecnologias modernas, e especialmente a comunicação do cinema e rádio estadunidenses ao Brasil, serviam como instrumentos estratégicos de coação à ideologia americana, afastando a possibilidade de um alinhamento com o Eixo. Ao mesmo tempo, Getúlio Vargas fechava acordos com os EUA, vendendo matéria-prima nacionais e comprando manufaturados norte-americanos. Seria então, um “imperialismo sedutor”.

Em 15 de março de 1952, foi assinado o Acordo Militar Brasil-Estados Unidos, onde a nação norte-americana se comprometia a fornecer auxílio militar em troca de minerais como urânio e areias monazíticas. Esta marca, uma das primeiras aproximações americanas ao Brasil, que iria então contribuir no imperialismo indireto a ser discutido neste tópico.
Após a renúncia de Jânio Quadros em 1961, João Goulart assume a presidência e passa a tomar uma política preocupantemente alinhada ao comunismo, pela visão estadunidense. Em seu mandato, abriu o diálogo com os países do Bloco Socialista, e buscou fortalecer a autonomia brasileira, distanciando-se dos EUA.
10 anos após a assinatura do tratado militar, John Kennedy e militares organizavam o que seria o golpe de Estado de 1964 na “Operação Brother Sam”, defendendo o Brasil da suposta ameaça comunista da Guerra Fria, ao mesmo tempo que fortalecia o seu controle pela nova ditadura militar. Neste período, foram implantadas leis que favoreciam a entrada de empresas estrangeiras, além de fortalecer o desenvolvimento industrial e a interdependência entre as duas nações.
Também em 1964, os EUA dão início a Escola das Américas, no Panamá, que passa a treinar militares sul americanos — dentre eles, brasileiros — promovendo a tortura e o combate aos ideais comunistas. Além disso, a escola também é conhecida por ter treinado ditadores como Leopoldo Galtieri, Rafael Videla, Hugo Banzer e Manuel Contreras. O militar da aeronáutica João Paulo Burnier, chefe do centro de tortura da Aeronáutica e acusado de ter assassinado Anísio Teixeira, também frequentou a instituição.
Em suma, embora não tenha ocorrido intervenção militar direta, como ocorreu em outros países latino-americanos como em Cuba, Chile, Nicarágua e demais outros; é inegável que houve uma interferência na política brasileira para implementar a ditadura militar de 1964 a 1985, forçando o benefício econômico dos Estados Unidos; além de impor culturalmente a ideia de superioridade americana sob a América Latina.
Eventos Recentes
Alguns eventos mais frescos em nossa memória deveriam aparecer neste tópico, visando o histórico recente dos EUA em sua longa campanha intervencionista ao longo da história, nos últimos anos 3 casos entram em destaque, o envolvimento estadunidense em Israel, no Irã e na Venezuela.
A guerra na faixa de gaza já ultrapassou os dois anos de duração desde seu estopim mais recente no dia 7 de outubro de 2023, apesar da região ter uma longa história repleta de choques e conflitos, desde sua fundação oficial após a Segunda Guerra Mundial, em 1948, Israel, repetidamente serviu como estado fantoche para os interesses estadunidenses e do ocidente como um todo, no oriente médio. Mesmo após o fim da Guerra Fria, isso não mudou, Israel continua sendo um recorrente aliado político, militar e estratégico das potências ocidentais. As ações de Israel na faixa de gaza e com a população palestina, são, ao olhar leigo, quase inacreditáveis dadas tamanha crueldade, genocídio é indiscutível. Dito isso, esse artigo não trata do intervencionismo Israelense, mas sim do estadunidense, os EUA constantemente apoiaram economicamente, politicamente e até mesmo militarmente, Israel, desde o começo desse conflito mais recente. Fornecendo até mesmo defesa do espaço aéreo, juntamente de forças militares francesas e inglesas.
Dessa forma, apesar das tropas militares americanas não terem se envolvido diretamente no massacre, oferecer proteção, e reforço econômico, possibilita o Estado israelense de continuar suas ações, a fim de claro, o ocidente como um todo, prolongar seu fantoche para terem alguma influência no Oriente Médio como um todo.
O segundo mandato de Donald Trump, iniciado em janeiro de 2025, vêm tomado posicionamentos agressivos em relação à política exterior, demonstrando uma visão de superioridade estadunidense, além de publicamente ter se declarado como “rei” em sua rede social Truth Social.
Diversas políticas foram implementadas a fim de estabelecer uma reestruturação na economia americana, abandonando parte da tradição liberal pelo protecionismo, fazendo cortes drásticos ao investimento público com a introdução do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE); e mais notoriamente, a imposição de tarifas de importação sob diversos Estados.
No entanto, estas tarifas não foram postas apenas para incentivar a reindustrialização americana. Em seus discursos, Trump fortemente criticou China, Canadá e México por não tomarem medidas o suficiente contra o narcotráfico e imigração ilegal para os Estados Unidos, além de ter ameaçado acrescentar 10% as tarifas dos países europeus que se opunham a tomada da Groenlândia, antes de retrair sua fala. Outra instância em que o presidente utilizou das tarifas como medida punitiva inclui as de 25% aplicadas a Estados que realizam comércio com seu atual rival ideológico, Irã.
O interesse norte-americano no oriente médio, não acaba em Israel, em 2025, no dia 22 de junho, às 02:20 no horário local, os EUA bombardearam uma base nuclear iraniana em Fordo, Natanz e Isfahan, argumentando o desenvolvimento de armas nucleares pelo governo iraniano, a administração Trump orgulhosamente falou do evento e ameaçou outro ataque no caso de eventual nova tentativa iraniana em desenvolver armamentos nucleares. Isso ocorreu logo em seguida à outra onda de ataques entre Irã e Israel, onde dezenas de bombas e drones foram usados para atacarem um ao outro. Os EUA, sempre presentes na discussão e apoiando Israel, encontraram a oportunidade perfeita para não só evitar que esse conflito escalasse entre Israel e Irã, mas também acabar com o desenvolvimento de armamentos nucleares por uma nação ideologicamente oposta aos seus interesses.
Esse ataque foi tido pela direita e apoiadores como um “heroísmo americano” em um esforço para proteger o mundo, entretanto, o precedente estabelecido por eventos como esse é extremamente alarmante. Enquanto a OTAN não hesitou em aclamar as ações estadunidense, a ONU tomou um posicionamento muito oposto, seguindo leis internacionais, dentro do que pode ser feito, criticou o evento e demandou um término às hostilidades norte-americanas referente ao Irã.
No segundo semestre do ano passado, a Venezuela e os EUA, encontravam-se em uma delicada tensão diplomática referente aos cartéis de drogas venezuelanos, eventualmente tal tensão e desentendimento resultou na administração Trump afundando mais de 30 navios no decorrer de quatro meses, entre setembro e dezembro. Dia 23 de dezembro, a ONU alertou os EUA, preocupando-se com uma escalada do conflito. Porém, tais ataques não viriam a ser o fim desse confronto, Donald Trump se demonstrou determinado em sua campanha contra os cartéis, intervencionista, no dia 3 de janeiro, ao invadir a capital da Venezuela, Caracas, e sequestrar o presidente Nicolas Maduro, juntamente de sua esposa. A operação ocorreu no silêncio da noite e as tropas estadunidense retiraram-se tão rápido quanto entraram. Maduro foi levado até Nova Iorque para ser julgado por uma corte estadunidense.
A operação pela captura de Maduro foi um choque para o mundo, a direita política, como de costume, aclamou a administração de Trump como um herói, assim como alguns presidentes mundo afora, enquanto organizações internacionais como a ONU, preocupam-se com o precedente estabelecido por esse decorrer de eventos e a impressionante quebra de soberania, para julgar Nicolas Maduro perante uma corte estadunidense, cuja jurisdição foi extremamente excedida. Com a captura de Maduro, diversos pontos de interesse foram levantados tanto pela mídia, quanto pela administração atual, afinal de contas a reserva de petróleo venezuelana é de grande interesse para os EUA, ainda mais quando tal recurso vinha sendo redirecionado para nações ideologicamente rivais como China, Irã ou Rússia.
O interesse de Trump pela Groenlândia iniciou ainda no seu primeiro mandato, tendo sido reportado como interessado no tamanho geográfico que a mesma ocupa, tornando os EUA o maior Estado do mundo, além de ter posicionamento militar estratégico (especialmente em relação à China e Rússia), sua riqueza em minerais de terras raras, e a possibilidade de se tornar uma nova rota comercial, visto que o aquecimento global tem aberto espaços de navegação onde antes ficavam geleiras; este pedido, no entanto, foi negado pela Dinamarca, que declarou que a Groenlândia não estava a venda. Agora, em seu segundo mandato, Trump retomou seu objetivo, deixando claro que não descartava o uso do exército, partindo para medidas mais agressivas do que previamente.
O presidente norte-americano ainda se pronunciou sobre a possibilidade de anexar o México e Canadá, argumentando que “Estamos sustentando o México, o Canadá e muitos outros países ao redor do mundo. Tudo o que quero é rapidamente estabelecer condições justas e equitativas. Não devemos subsidiá-los. Se vamos fazer isso, eles deveriam simplesmente tornar-se um Estado [dos EUA]” (tradução própria). Um evento controverso foi a mudança do nome de Golfo do México para Golfo da América nos resultados do Google Maps, evidenciando o alinhamento da Big Tech ao governo estadunidense.
As políticas expansionistas de Trump são comumente comparadas à Doutrina Monroe, e, portanto, foi chamada até pelo próprio presidente de “Doutrina Donroe”, justificando suas táticas agressivas para a preservação da hegemonia americana no ocidente, a fim de combater a China e Rússia.
Em relação ao Brasil, os EUA também tentaram enquadrar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas, embora isso vá contra a definição de terrorismo na constituição brasileira. Tal atitude pode ser vista como uma investida inicial para justificar sanções e intervenções por parte dos EUA ao Brasil.

Reflexões Finais
Para finalizar, esse artigo, vale questionar, qual é a proposta da atual administração dos EUA, sobre o presidente Donald J. Trump, em comparação ao resto da história estadunidense. Analisar o presente sempre é difícil e continuará sendo, o passado é notavelmente mais fácil de se dissecar e entender, o presente é repleto de história incompletas, mal contadas, pressão; entretanto, é sempre no presente que decisões hão de ser tomadas, o passado é inalterável.
Desde sua fundação, os EUA se estabeleceram como uma nação altamente proativa internacionalmente, seu histórico intervencionista, mesmo no século passado, é extenso, salvo exceções como Woodrow Wilson, os norte-americanos têm uma claríssima tendência a “policiar” o mundo, ou no mínimo, a América latina. Como brasileiros, vale questionar se nossa nação como uma potência regional deveria seguir os passos, a vontade, e as intenções de Trump, ou se o deveríamos o desafiar. Por outro lado, como Internacionalistas, em formação ou não, ou apenas interessados em política externa, é importante lembrar a história sobre a qual o presente é construído. O governo Trump certamente não é o único, muito menos o primeiro, a tomar ações tão claramente intervencionistas, porém certamente seu mandato é um agravante considerável.
O excepcionalismo americano coloca os Estados Unidos como o definidor da moral e política do ocidente e mundo, no entanto, age contra a soberania e autodeterminação dos povos e muitas vezes fere a população local diretamente. Uma das críticas, por teórico estadunidense Noam Chomsky, descreve a prática de “intervenções humanitárias" como naturalmente contraditórias, tendo em vista que buscam justificar o terror em uma "relação de custo-benefício" para alcançar a democracia. Seria, então, uma luta entre um "terrorismo justo e moral" contra um “terrorismo imoral e anti-americano”.
Se a doutrina Monroe visava um isolacionismo entre Américas e Europa, o corolário de Roosevelt tratava de intervencionismo na América Latina, a “Doutrina Donroe” prevê intervencionismo global? Novamente, o presente é sempre o mais difícil de analisar, porém, é o mais importante, uma vez que nele, forja-se o futuro.
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